Safurdão - História
�O Safurdão � uma antiqu�ssima povoa��o e freguesia do concelho e comarca de Pinhel, distrito e diocese da Guarda. � o ponto mais alto do concelho, aldeia castreja onde sempre ponderou a cultura do centro.
Tem por orago (santo padroeiro) Santo Ant�o (um Abade do s�culo III, padroeiro dos animais dom�sticos). A Igreja venera-o desde o s�culo IX a 17 de Janeiro, mas o povo do Safurdão celebra a festa em honra do seu padroeiro no primeiro fim-de-semana de Agosto.
� de forte presun��o que a povoa��o j� teve um outro top�nimo de aplica��o anterior que se julga ter sido Zafar (origem �rabe). Mais tarde ter� sido denominada �Aldea (m) de Zafurdom� (Zafar: �tum) tendo evolu�do at� Zafurd�o e por fim Safurdão como � conhecida at� hoje, demonstrando assim ser uma povoa��o que nunca desapareceu de todo nesta regi�o.
A aldeia tem como principal �embaixador� o artesanato do tear que j� lhe mereceu reconhecimento regional e at� nacional, pois antigamente as fam�lias mais ricas da regi�o vinham ao Safurdão buscar as suas tecedeiras. Hoje e ainda que com muito custo, perduram os teares (a visitar na Casa do Artesanato) e as artes�s.� A História dos Teares e das Tecedeira No concelho de Pinhel, na primeira metade do s�culo passado, existiam algumas tecedeiras que trabalhavam nos teares os fios de linho e estopa transformando-os em belos panos para len��is, enxergas e toalhas e teciam tamb�m as conhecidas colchas de l� e mantas de farrapos.
O linho, que deixou praticamente, de se cultivar nos anos sessenta, era antes uma cultura de alguma import�ncia em terras como Atalaia, Carvalhal, Safurdão, Lamegal e Pereiro. O linho cultivava-se normalmente em Mar�o, nos terrenos que tinham bastante �gua; era regado, todos os dias. Deitava uma linda flor azul quando estava maduro. Cortavase, normalmente em Junho, e tirava-se-lhe a semente para semear no ano seguinte. Faziam-se feixes que se iam p�r na ribeira, para curtir durante dias. Depois permanecia em casa at� Setembro, ora metendo-o na �gua, ora espalhando-o ao sol. No in�cio do Outono levava muita pancada com a ma�a ou ma�adoira para lhes tirar as arestas; com a espadana ou espadaneira, em cima dum corti�o alto, dava-se-lhe mais pancada; depois ia para o sedeiro, que era uma t�bua estreita com muitos dentes, a parecerem sovelas, afiados para separar o linho da estopa e dos tomentos.
No Inverno seguinte, ao ser�o, as mulheres fiavam-no, utilizando rocas. Eram feitas com uma cana, tendo no cimo cavidades que se abrem metendo l� dentro uma rodela de corti�a onde se punha de forma a parecer uma ma�aroca. Os fusos serviam para puxar o linho da roca atrav�s do uso da m�o.
� medida que o linho ia sendo fiado ficava em ma�arocas de cerca de meio quilo. As ma�arocas eram dobradas num sarilho ou argadilho que as transformava em meadas, que iriam cozer durante uma noite com �gua e cinza, dentro das grandes panelas de ferro ou nos caldeiros das lareiras, para depois poderem ir corar e, posteriormente, levarem uma boa barrela. Mais tarde, as meadas j� coradas, iriam para �s oficinas das tecedeiras que as dobrariam nos argadilhos e, depois as urdiriam nas urdideiras, para irem para os teares. Era o momento em que �a teia de linho j� estava urdida�, queria significar que estava pronta a teia a ser tecida. Nessa altura, as tecedeiras enchiam as canelas, para serem metidas nas lan�adeiras que, em movimentos ritmados, para c� e para l�, atravessavam as teias urdidas e montadas no tear, de onde iriam sair os panos de linho e de estopa.
O tear tem como pe�as importantes o pente, por onde passam todos os fios da teia, as li�as e os pedais. Quando a teia estava pronta, a pe�a, por vezes, ainda tinha de voltar � barrela, a fim do linho ficar t�o branco, t�o branco, que pudesse ser transformado em alvo len�ol ou numa toalha para o altar de igreja ou capela de solar! No concelho de Pinhel, a tecelagem manual era profiss�o exclusiva de mulheres. Pensase que o Carvalhal da Atalaia foi provavelmente, o ber�o da tecelagem artesanal no concelho.
Desde tempos imemoriais que a arte passava de m�es para filhas; as tecedeiras mais conhecidas nesta pequena localidade s�o as senhoras Guilhermina Paula, Isabel Carlota e Isabel Pedra. Em Pinhel, s� existia uma tecedeira, tamb�m origin�ria do Carvalhal, que era a senhora Ricardina, que tinha a sua oficina de tear manual na rua dos Tiros, ali bem perto da porta de S�o Tiago. Fazia teias de muitas caras fabricando bobinas de linho fino (que comprava em meadas a fornecedoras suas conterr�neas do Carvalhal da Atalaia) para len��is, toalhas, travesseiros, enxergas, colchas, tapetes e mantas de farrapos.
Tamb�m no Safurdão sempre houve tecedeiras. Ficou conhecida a ti Beatriz (m�e do grande matador taurom�quico Amadeu dos Anjos) e mais tarde, entre outras, a ti Eul�lia, que ainda deixou familiares (Isabel Portas, Alcina Marques e Felizarda Marques) nesta penosa mas bonita profiss�o artesanal; a maior especializa��o das tecedeiras do Safurdão era a tecelagem de mantas e alforges, indispens�veis na vida rural para colocar sobre a albarda dos equinos, asininos e muares e as mantas tecidas em l� que se punham, ou nas camas para ornamento ou at� no ch�o das salas de visitas em vez de carpetes.
Em P�nzio, a �ltima tecedeira foi a ti Teresa Jorge, filha doutra tecedeira que deixou saudades: a senhora Maria Clara.
Naqueles tempos era um orgulho ser tecedeira para poder tecer finos panos de linho para o ornamento dos altares das igrejas e para outros usos na liturgia cat�lica.
Como era motivo de vaidade para as senhoras ricas de Pinhel o ornamento que faziam nos seus solares com os panos de linho bordado
